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mar 07

Redes de aprendizagem e seu papel na inovação

 

Você já percebeu como aprendemos quando conversamos e trabalhamos em equipes na busca de solução de problemas? Esse é o primeiro passo para a formação das redes de aprendizagem. Quando você se reúne com pessoas que genuinamente estão vivenciando um desafio ou problema similar ao que você precisa resolver e existe sinergia e motivação colaborativa, novas soluções surgem rapidamente. Isso por que o aprendizado é especialmente positivo quando temos a chance de conviver e debater com pessoas diferentes de nós, com outras perspectivas profissionais (desde que você esteja com a cabeça aberta para aceitar o diferente e outros pontos de vista), desde que exista interesse em encontrar uma solução comum para os problemas coletivos. Na prática esse tipo de troca de experiências e construção colaborativa é um misto dos melhores métodos de aprendizagem que existem, onde cada participante assume múltiplos papéis, como debatedor (aprende conversando), professor (aprende ensinando) e executor (aprende fazendo).

Alguns pesquisadores perceberam a importância da colaboração, troca de experiência e interação para o aprendizado dos indivíduos e organizações, analisando como redes de profissionais alocados em diferentes organizações e envolvidos em trocas de experiências e na solução de problemas alcançavam alto desempenho e desenvolveram práticas profissionais bem sucedidas. A partir de obervações dessa natureza que surgiu o conceito de rede de aprendizagem.redes de aprendizagem

Conceito de Redes de Aprendizagem

Redes de aprendizagem correspondem a um grupo de indivíduos ou organizações que buscam compreender um fenômeno e criar um espaço para debates, reflexões e conhecimento sobre um tema, propondo práticas e soluções inovadoras [1]. Atuando de forma diferente dos sistemas tradicionais de ensino, uma rede de aprendizagem é um arranjo cooperativo onde diferentes atores tentam ao mesmo tempo atender suas demandas e permitir trocas [2], com o objetivo de propor e desenvolver práticas e ações inovadoras [3].

Um dos fatores críticos de sucesso das redes de aprendizagem é a existência de atores (organizações ou indivíduos) responsáveis pela coordenação e gestão do processo de aprendizagem [2], conhecidos como centro de aprendizagem (learning hubs). O centro de aprendizagem tem como objetivo moderar, coordenar, promover e fomentar a troca de experiências e desenvolvimento do conhecimento de maneira compartilhada entre os demais atores. Em outros países (como as redes desenvolvidas na Bélgica em torno da instituição KULeuven ou em torno do MIT nos EUA) as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) exercem um importante papel para congregar atores externos as Universidades como forma de cooperação entre diferentes atores sociais em busca da inovação.

Nota-se que os exemplos de redes de inovação, apesar de bastante populares em universidades e polos em países desenvolvidos, ainda são pouco conhecidos e utilizados no Brasil. No Brasil a política nacional de inovação, busca facilitar essa transformação social, facilitando mecanismos de interação entre as Universidades e organizações públicas e privadas. No entanto, talvez por essas iniciativas serem recentes (a exemplo da LEI Nº 13.243, DE 11 DE JANEIRO DE 2016) ainda observa-se um impacto modesto dessas políticas no sentido da integração da universidade ao sistema de inovação nacional.

Por isso, as redes de aprendizagem podem se apresentar como um grande potencial no desenvolvimento da inovação, trazendo crescimento profissional e potencializado competências para as organizações envolvidas nesse processo.

 

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REFERÊNCIAS

[1]     J. Power, E. Sinnott, B. O’Gorman, and N. Fuller-Love, “Developing self-facilitating learning networks for entrepreneurs: A guide to action,” Int. J. Entrep. Small Bus., vol. 21, no. 3, pp. 334–354, 2014.

[2]     J. Bessant, A. Alexander, G. Tsekouras, H. Rush, and R. Lamming, “Developing innovation capability through learning networks,” J. Econ. Geogr., vol. 12, no. 5, pp. 1087–1112, 2012.

[3]     F. R. Dwyer and J. F. Tanner, Business Marketing: Connecting Strategy, Relationships, and Learning, 2nd ed. New York: MCGRAW-HILL Higher Education, 2008.

 

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Sobre o Autor

Graduado, mestre e doutor em Administração pela UFMG, tem experiência como Professor e Consultor na área de Análise e Pesquisa de Mercado. Participa como colaborador no Núcleo de Estudos do Comportamento do Consumidor (NECC UFMG), Núcleo de consultoria, treinamento e pesquisa em Marketing e Estratégia (NUME UFMG), Núcleo de Internacionalização (Fundação Dom Cabral) e Núcleo de Gestão de Mercados (GEM Fundação Dom Cabral). Tem experiência profissional e docente nas áreas de Estatística Aplicada, Consultoria Empresarial e Pesquisa de Marketing, com ênfase em Metodologia Científica e Análise de Dados. Publicou 14 artigos em periódicos especializados e 31 trabalhos em anais de eventos. Já foi agraciado com o prêmio de melhor artigo de marketing em congresso internacional (CLADEA 2005). Atualmente ocupa o cargo de Professor Adjunto I da Universidade FUMEC, integrando o corpo docente dos cursos de Mestrado e Doutorado Acadêmico em Administração.